domingo, 7 de março de 2010

A Grande Imprensa

Atendendo a solicitações, na semana que vem, caso apreenda estarei deixando este blog mais interativo com enquetes. Também buscaremos falar mais da nossa região metropolitana, enquanto isso publico um artigo muito interessante, escrito por Gabriel Scliar.

“A Grande Imprensa

O Brasil passa por um momento peculiar. Parece que existe um clima de denúncia, como se alguém tivesse sido desmascarado. Abro os jornais, durante toda semana, e os artigos, as reportagens, tem sempre um ar de justificativas.
A primeira coisa que penso, quando sinto esse clima, é que mais uma vez, a imprensa conseguiu colocar o Governo Lula na parede. Como tem sucedido nos últimos quatro anos e meio, a administração petista deve ter permitido que fosse gerado algum fato para ser explorado.
Mas é estranho, porque não tem autoridades do governo se justificando. Não há ministros ou acessores sendo encurralados.
É o Ali Kamel, chefão de jornalismo da Globo, se defendendo. Mais uma vez! A primeira foi quando escreveu um livro intitulado “Não somos racistas”. Convenhamos, um sujeito que precisa escrever um livro para explicar que não é racista, deve ter cada idéia.
A segunda, pelo menos que eu tenha conhecimento, foi em artigo publicado essa semana no jornal O Globo. Seu título, “A Grande Imprensa”, combinado com seu conteúdo, era de tanta força que sequer ouso escrever a expressão sem as iniciais maiúsculas: A Grande Imprensa.
E fiquei pensando nessa nova instituição brasileira, que podemos entender como sendo um alinhamento pela direita dos grupos que controlam quase toda informação que circula no país: Grupo Folha, Organizações Globo, Grupo Abril e O Estado de São Paulo, com um objetivo: reconduzir os “seus” ao poder. Mas sejamos ainda mais claros. Toda vez que se fala em Grande Imprensa, estamos falando das famílias Frias, Marinho, Civita e Mesquita, não é isso?
É chocante saber que quatro famílias formam, de fato, a opinião publica brasileira. Claro que podemos fazer a ressalva de que existe uma malha de jornais, TVs, revistas etc., que são também reprodutores da Grande Imprensa. Mas esses quatro, indiscutivelmente, são quem guiam o cabresto.
Então leio um editorial da Folha, que destila veneno e dá sua contribuição ao movimento Cansei, que ela e seu braço virtual, UOL (que, aliás, nasceu de uma sociedade com o Grupo Abril), não cansaram de divulgar. Só faltou distribuir assinatura para quem fosse à manifestação.
Mas de novo, justificativas. Ora, de fato, o jornal tem o direito de errar. Mas podia ao menos assumir que errou. Que tentou se antecipar às notícias, porque era conveniente que se confirmassem como verdadeiras.
Que nada. Preferem fazer como Clóvis Rossi, que disse não aceitar patrulhamento. Na verdade, acho até nobre da parte dele. A imprensa, digna do nome, deve ter e precisa de independência, ser livre. Mas eu defendo além, eu quero que a informação seja livre. Mas ela está concentrada nas mãos de alguns, entre eles o cara que paga o salário do Clovis Rossi.
Acredito que o fundamental, nesse momento, é adquirirmos uma nova postura diante dessa Grande Imprensa, ops, da Marinho, Mesquita, Civita & Frias Associados. É preciso que se divulgue mais sites independente, blogs, e demais locais que são fontes de informação. De informação livre.
Precisamos dar esse passo além. Somos nós quem cansamos do denuncismo pré-fabricado que invade os jornais há quase cinco anos. Eles sentiram. E se a Grande Imprensa vai encolher, não sei. Mas em credibilidade já encolheu”.

Gabriel Scliar
09/08/2007

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