As declarações do Presidente da Venezuela, Hugo Chávez, são fortes motivos para que os nossos meios de comunicação aproveitem para formar opiniões contrarias ao mandatário venezuelano. Quase sempre aproveitam os baixos momentos, agora, por exemplo, estão aproveitando o referendo que acontecerá domingo próximo para taxá-lo de ditador. Pelos noticiários o referendo só acontecerá para discutir o terceiro mandato chavista, no entanto, o site da revista fórum, divulga uma entrevista com Izaías Almeida, autor do livro “Venezuela Povo e Forças Armadas”, exatamente para contrapor aos interesses globais.
Achei interessante divulgar dois trechos da entrevista que falam diretamente sobre o referendo, quem quiser conferir o site é: www.revistaforum.com.br .
“ Fórum – No dia 2 de dezembro, o povo venezuelano votará no plebiscito de alteração na constituição. Apesar das mudanças serem amplas, a mídia brasileira discute apenas o intuito de Chávez se perpetuar no poder, ignorando questões como a diminuição da jornada de trabalho. Como o senhor analisa está situação?
Almeida – Todas as constituições, inclusive dos países mais democráticos, refletem o pensamento da classe dominante. Em 1998 para 1999, a Venezuela já tinha modificado sua constituição. Para avançar no processo de transformação social, Chávez e pensadores venezuelanos estão propondo mais uma modificação. Neste plebiscito, existem questões como a da jornada de trabalho, a regularização dos trabalhadores informais – na Venezuela há cerca de um milhão de trabalhadores informais –, demarcação das águas do país, a criação do quarto poder, o poder popular. Este poder governará o país junto do Legislativo, do Executivo e do Judiciário, por meio de conselhos cujos membros seriam escolhidos em cada bairro. É um passo muito ousado, que está gerando muito debate e controvérsia na dentro da Venezuela e fora, mas é um processo necessário para a transformação social do país. Espero que tudo ocorra pacificamente. A Venezuela está sofrendo uma pressão internacional muito grande para que a diferença entre o Não, que representa a negativa a proposta do governo Chávez, perca com uma pequena margem, para que possam invalidar o processo. Particularmente acredito que o sim ganhará.
Fórum – As passeatas e manifestações estudantis contra a proposta chavista e geram um estado de tensão na Venezuela?
Almeida – Isso representa uma coisa que muitos abafam e dizem que não existe mais, que é a luta de classes. Estes confrontos são os confrontos dos donos do capital e dos donos do trabalho, é o conflito da riqueza e da pobreza.
Na Venezuela, existem estudantes pró-Chavéz e estudantes contra Chávez, mas a mídia global, em geral, manipula imagens e não mostra está dualidade. No Brasil, por exemplo, os jornais publicaram um foto com um cenário todo destruído e anunciando que estudantes pró-Chavez atacam estudantes contra a nova constituição. No outro dia, ficou provado que o cenário destruído tinha sido provocado pelos estudantes contra Chavez que atacam os estudantes chavistas. A luta de classes existe e está cada vez mais violenta, devido ao processo de contradições deste sistema”.
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